Cine-debate nas escolas públicas aborda desigualdade menstrual
Mini doc #Respeitenossofluxo encerra ciclo de ações educativas nas escolas públicas do DF com protagonismo juvenil e discussão crítica sobre direitos menstruais
18 nov, 2025

A escola pode, e deve, ser também um espaço de criação, escuta e transformação. Ao unir cinema e educação, o projeto #Respeitenossofluxo aposta no poder da linguagem audiovisual para abrir conversas profundas com adolescentes sobre temas muitas vezes silenciados, como a pobreza menstrual, o direito à saúde e os estigmas que atravessam o corpo feminino. Nas salas de aula, rodas de conversa e oficinas viraram roteiro, voz e imagem. Agora, com a exibição do mini documentário que nasceu dessas vivências, os estudantes têm a chance de se reconhecer na tela e ampliar o debate dentro da própria escola.

No dia 18 de novembro, estudantes e professores das escolas públicas do Riacho Fundo I e Riacho Fundo II participarão de uma programação especial com a exibição do mini documentário #Respeitenossofluxo, produção audiovisual criada a partir das atividades realizadas durante o projeto homônimo, que promoveu oficinas, rodas de conversa e intervenções educativas sobre pobreza menstrual, direitos humanos e saúde nas escolas.

Ao todo, serão realizadas cinco sessões com cine-debate ao longo do dia, reunindo turmas do ensino fundamental e médio para assistir ao filme e debater, junto às educadoras e realizadoras do projeto, os temas abordados e o processo de produção. A proposta é que alunos e professores reconheçam, no resultado final, a potência de práticas pedagógicas inovadoras, que rompem com o modelo tradicional de ensino e colocam os estudantes como protagonistas dos seus próprios processos de aprendizagem.

O documentário, financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, é resultado direto da escuta ativa e do envolvimento das juventudes nas atividades realizadas nas escolas. Mais do que falar sobre menstruação, o projeto buscou abrir caminhos para que os próprios estudantes pudessem refletir e se expressar sobre desigualdades, autocuidado, estigmas sociais e políticas públicas que ainda não saíram do papel, como a Lei nº 6.779/2021, que garante a distribuição gratuita de absorventes no DF, mas segue sem implementação efetiva.

Cinema e educação como ferramentas de transformação

O projeto aposta na linguagem audiovisual como uma aliada da educação. “Acreditamos que a escola pode ser espaço de escuta, crítica e criação. Quando os alunos se reconhecem como sujeitos ativos, o aprendizado ganha outro sentido”, afirma a diretora do mini documentário, Luciellen Castro. A exibição nas próprias escolas onde as ações aconteceram fecha o ciclo de forma simbólica, devolvendo às comunidades escolares o resultado de um processo construído coletivamente. Unindo educação e cinema, o projeto despertou novos olhares, sensibilizou para realidades invisibilizadas e inspirou transformações dentro e fora da escola.

Sobre o projeto

#Respeitenossofluxo é uma iniciativa idealizada pela roteirista, diretora e arte-educadora Luciellen Castro, que propõe um percurso de escuta, diálogo e criação coletiva sobre menstruação e desigualdades menstruais nas escolas públicas do Distrito Federal. A proposta se baseia na escuta das juventudes e prioriza metodologias dialógicas e práticas pedagógicas criativas, aliando produção cultural e sensibilização educativa para promover o enfrentamento à pobreza menstrual e estimular o protagonismo juvenil.

Sobre a realizadora
Luciellen Castro é roteirista, diretora, atriz e arte-educadora, é graduada em Licenciatura em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília, pós-graduada em Arte-Educação pelo Senac e mestranda em Educação pela Universidade Estadual do Ceará. Iniciou sua trajetória em 2009 e atuou na cena teatral cearense em espetáculos como “Você Não Consegue Parar”, “Majestic Bar”, “A Noiva e o Condutor”, “Ferocidades Adormecidas” e “Tentativas Contra a Vida Dela”. 

Em Brasília, dirigiu “E se nós tivéssemos um nome?” (Festival de Teatro de Curitiba), trabalhou como arte-educadora no Centro Cultural do Banco do Brasil e dirigiu projetos premiados como os curtas “Ninguém tá vendo, mas eu tô” e “Intervalo”. É diretora e roteirista dos curtas “Escolas com Barreiras” e “A menina Corina em: Quantos mundos cabem em um mundo só?”. Em 2023 e 2024, realizou o projeto bilíngue “A História que Eu Vejo” e a visita teatralizada “Museu Dinâmico de Cera”, no Museu do Catetinho. Seu trabalho mais recente é o teatro infantil “O Menino e o Tempo”, e atualmente desenvolve o mini documentário #Respeitenossofluxo, sobre menstruação e adolescência.

Ficha técnica:

Direção de Produção/ Roteiro/ Direção Cinematográfica: Luciellen Castro
Produção Executiva: Karen Monteiro
Direção de Fotografia: Amanda Guimar 
Operadora de câmera: Raíssa Ferreira
Consultora de Roteiro: Lorena Figueiredo
Assistente de Produção: Thalita Araújo
Assistente de direção: Nathalie Costa
Gaffer: Ada Souza
Assistente de luz: Alef Rabelo
Debatedora: Ravenna Silva
Consultora de Acessibilidade: Alice Araújo
Equipe de comunicação: Letícia Rick e Laryssa Ribeiro
Still: Bruna Araújo e Fernanda 
Diretor Musical: Filipe Campos
Captação de som: Bruna Cardoso
Assistente de som: Enrico Scodeller
Editor/Montador: Giovanni Altoé
Direção de Arte: Isabella Alves
Assistente de Arte: Elfa
Assessoria de Imprensa: Valéria Amorim (Candiá Produções)

SERVIÇO

Projeto: #Respeitenossofluxo
Exibições e cine-debates nas escolas públicas do Riacho Fundo I e II
Data: 18 de novembro de 2025
Mini documentário com produção autoral e participativa
Mais informações: www.instagram.com/respeitenossofluxo 

Valéria Diniz de Amorim

Valéria Diniz de Amorim

Especialista em Comunicação, Marketing, Eventos, Branding e Growth, possui formações em Gestão e Produção de Negócios Criativos, Computação Gráfica e Educação. Atua há mais de uma década na criação de estratégias e projetos de comunicação com foco em cultura, educação, acessibilidade, meio ambiente e direitos humanos, especialmente no eixo DF–MA. Fundadora da Candiá Produções (2016) e do Observatório da Comunicação Popular (2025).

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