Quilombo Rampa acolhe o 5º encontro da Escola de Educação Popular
Fortalecendo ancestralidade, memórias e direitos nos territórios do Corredor Carajás
2 out, 2025

Nos dias 26 a 28 de setembro de 2025, o Quilombo Rampa, em Vargem Grande-MA, foi palco de mais uma etapa da Escola de Educação Popular no Corredor Carajás, iniciativa realizada em parceria pela Justiça nos Trilhos (JnT) e o Gedmma. Este foi o 5º encontro da escola, que chega à sua quarta turma, consolidando-se como espaço de formação, resistência e fortalecimento comunitário.

A escola é formada por 40 integrantes, indicados por lideranças de suas comunidades, com idade a partir de 16 anos. As atividades acontecem a cada dois meses, em finais de semana, em comunidades tradicionais, quilombolas ou terras indígenas, e são precedidas por um intenso processo de preparação e mobilização. O objetivo central é aprofundar os estudos, estabelecer contatos, conhecer e apoiar lutas locais, além de fortalecer a memória e a identidade de povos que, historicamente, foram pensados como destinados a desaparecer.

“Mais importante do que o que se mostra, é o que se esconde.” – Raimundo, Quilombo Rampa

Contos, cantos e o som do Tambor de Crioula marcaram os três dias de vivências: a acolhida do Quilombo Rampa ensinou sobre simplicidade, força e ancestralidade.

Durante os três dias de encontro, os integrantes se debruçaram sobre o tema “Ancestralidade, memórias, força dos territórios: Protocolo de Consulta Livre, Prévia, Informada e de Boa Fé”, conduzido pelos assessores Raimundo Quilombola (Quilombo Rampa) e Joercio Pires (Leleco, do Quilombo Santa Rosa dos Pretos). Entre contos, cantos, histórias e o som do Tambor de Crioula, o aprendizado ganhou força não apenas nos conteúdos, mas na experiência viva do território.


O Quilombo Rampa é descrito por moradores como um “cantinho e centro do mundo”, um lugar onde a simplicidade, a entrega e a manutenção dos costumes reforçam a identidade comunitária. A acolhida calorosa e a energia do local foram sentidas por todos por meio dos sorrisos, brilho nos olhos e o sentimento de pertencimento marcaram a experiência.

Segundo Maju Silva, educadora popular na JnT, “é fundamental que as atividades aconteçam dentro das próprias comunidades dos cursistas e participantes. Esses encontros favorecem o intercâmbio e a troca de saberes. A Escola de Educação Popular, por meio das formações, busca potencializar os conhecimentos já existentes, fortalecendo a luta e a resistência nos territórios”.


Formação, resistência e pertencimento – cada rosto é um território de memória e futuro. Vídeo: Renata, do GEDMMA


O encontro reafirmou a importância da formação como ferramenta de resistência, permitindo que comunidades historicamente marginalizadas recuperem as histórias de reação e lutas de seus ancestrais. Nesse espaço, os integrantes buscam formas de levantar do chão e tornar pública sua existência, seus direitos ambientais e territoriais e sua vontade de continuar a ser e viver como são.

“Conhecer a história e a potência que o território Quilombo Rampa representa é energizante e renova os ânimos”, relatam participantes.

O 5º encontro reforça a missão da Escola de Educação Popular no Corredor Carajás: transformar conhecimento em ação, memória em mobilização e ancestralidade em resistência. A iniciativa não apenas fortalece lideranças locais, mas também cria uma rede de solidariedade, diálogo e aprendizado contínuo, mantendo viva a chama da cidadania, dos direitos humanos e dos direitos da natureza.

Com informações Rádio TV Quilombo Rampa – Raimundo Quilombola e GEDMMA 

Fotos: Arquivos da JnT e Gedmma

Lanna Luz

Lanna Luz

Jornalista, comunicadora popular e produtora cultural maranhense de Imperatriz, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e especialista em Comunicação Empresarial e Institucional pela UFMA. Atuou em projetos como Justiça nos Trilhos, Festival BR 135, Agência Zagaia e Rádio Poste Caema, além de repórter e produtora na TV Mirante. Como co-criadora do Zine Sibita e idealizadora do Projeto Zine Itinerante, desenvolve oficinas que unem arte, jornalismo, educação e design, fortalecendo narrativas comunitárias e utilizando a comunicação como ferramenta de resistência, sensibilidade e conexão com as raízes.

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