O que é Comunicação Popular? Entenda a base da mídia feita pelo povo
Saiba o que é comunicação popular, sua história e importância no Brasil. Uma prática enraizada nos territórios, que une democracia, cultura e educação.
23 ago, 2025

A comunicação popular é uma prática comunicacional que nasce da vida cotidiana das comunidades e dos movimentos sociais. Diferente da grande mídia, que fala de cima para baixo, a comunicação popular fala com o povo e desde o povo. É construída pela coletividade, assume compromissos políticos com a transformação social e se fortalece como ferramenta de resistência cultural e democrática.

Definição

A comunicação popular se caracteriza por práticas comunicacionais que:

  • são produzidas pelas comunidades, coletivos e movimentos sociais;
  • privilegiam a participação cidadã e a troca de saberes;
  • enfrentam o silêncio imposto pela concentração midiática e pela exclusão histórica.

Não é neutra: está a serviço das classes populares, dos territórios periféricos, quilombolas, indígenas e camponeses.

  • Paulo Freire: Em Pedagogia do Oprimido (1968), defendeu a comunicação como prática dialógica, rompendo com o modelo vertical de transmissão. Para ele, comunicar é educar e libertar.
  • Cicilia M. Krohling Peruzzo: Referência em comunicação comunitária, define a comunicação popular como “uma prática de resistência cultural que amplia a participação política e cidadã dos setores subalternizados” (Comunicação nos movimentos populares, 1998).
  • FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação): Afirma que a comunicação popular é central na luta pela democratização dos meios, denunciando a concentração midiática no Brasil.

Trajetória no Brasil

A comunicação popular no Brasil tem raízes profundas:

  • Décadas de 1960–70: As Comunidades Eclesiais de Base usavam boletins, murais e rádios locais para mobilização popular; ao mesmo tempo, a imprensa alternativa (como O Pasquim e Opinião) desafiava a censura durante a ditadura.
  • Décadas de 1990–2000: As rádios comunitárias se espalharam pelo país, sobretudo em áreas periféricas e rurais. Mesmo perseguidas legalmente, tornaram-se espaços de cultura local, informação e pertencimento.
  • Atualidade: Coletivos de comunicação indígena, quilombola, feminista e periférica usam redes sociais, podcasts e canais digitais para narrar suas realidades, disputando espaço com a mídia hegemônica.

Diferença entre comunicação popular, comunitária e alternativa

  • Popular: nasce dos movimentos sociais e do povo organizado, com foco em transformação social.
  • Comunitária: ligada a um território específico (ex.: rádios comunitárias).
  • Alternativa: desafia a mídia tradicional, muitas vezes vinculada a causas políticas e culturais.

Esses conceitos se sobrepõem, mas é a comunicação popular que carrega a dimensão educativa, política e emancipatória.

Conclusão

Comunicação popular não é apenas “mais um modelo de mídia”: é um direito humano e um caminho para que o povo se reconheça como protagonista da própria história. Ao unir memória, cultura e participação política, ela se afirma como prática indispensável para qualquer democracia que queira ser, de fato, plural e inclusiva.

Referências

  • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.
  • PERUZZO, Cicilia M. K. Comunicação nos movimentos populares. Petrópolis: Vozes, 1998.
  • FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. fndc.org.br
  • KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa. São Paulo: Edusp, 1991.
  • PERUZZO, Cicilia M. K. “Comunicação popular e comunitária na era digital”. Intercom, 2009.
Valéria Diniz de Amorim

Valéria Diniz de Amorim

Especialista em Comunicação, Marketing, Eventos, Branding e Growth, possui formações em Gestão e Produção de Negócios Criativos, Computação Gráfica e Educação. Atua há mais de uma década na criação de estratégias e projetos de comunicação com foco em cultura, educação, acessibilidade, meio ambiente e direitos humanos, especialmente no eixo DF–MA. Fundadora da Candiá Produções (2016) e do Observatório da Comunicação Popular (2025).

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