Congresso Nacional recebe lançamento do primeiro Manual de Jornalismo Indígena do Brasil
Obra inédita, construída por jornalistas indígenas de diferentes povos, propõe transformar a forma como a imprensa brasileira cobre os assuntos relacionados aos povos originários.
6 ago, 2026

Brasília (DF) – No próximo 10 de agosto de 2026, a Câmara dos Deputados será palco de um marco histórico para o jornalismo brasileiro. Das 10h às 12h, será lançado oficialmente o Poranga Marandúa – Manual de Jornalismo Indígena, a primeira publicação do país elaborada por jornalistas indígenas para orientar a cobertura jornalística sobre os povos originários a partir de seus próprios conhecimentos, experiências e perspectivas.

Mais do que um manual de redação, a publicação representa um passo decisivo para a democratização da comunicação no Brasil. A obra reúne orientações práticas, conceitos, referências e princípios éticos para qualificar a cobertura jornalística, enfrentar estereótipos históricos e promover uma narrativa comprometida com a diversidade, os direitos humanos e a pluralidade dos mais de 300 povos indígenas que vivem no país.

O lançamento reunirá jornalistas, comunicadores, parlamentares, lideranças indígenas, pesquisadores, estudantes e representantes de organizações nacionais e internacionais que atuam na defesa dos direitos indígenas e da liberdade de imprensa.

Em um momento em que temas como crise climática, biodiversidade, demarcação de terras, justiça socioambiental e direitos dos povos originários ocupam o centro dos debates nacionais e internacionais, o Poranga Marandúa chega como uma ferramenta inédita para fortalecer uma cobertura mais ética, responsável e comprometida com a realidade indígena.

Uma mudança de paradigma na comunicação brasileira

Historicamente, os povos indígenas foram retratados pela imprensa a partir de olhares externos, frequentemente marcados por estereótipos, invisibilização, ausência de contexto e utilização de termos inadequados. O Manual de Jornalismo Indígena propõe uma ruptura com esse modelo.

Construído por jornalistas indígenas de Biomas do Brasil, o manual combina a técnica jornalística com os saberes tradicionais, oferecendo recomendações para reportagens, entrevistas, uso de terminologias, contextualização histórica e abordagem de temas como território, cultura, educação, saúde, política, meio ambiente e mudanças climáticas.

A publicação também reafirma o direito dos povos indígenas de narrar suas próprias histórias e amplia o diálogo entre as redações brasileiras e os profissionais indígenas que hoje atuam em veículos de comunicação em todo o país.

Para Luan Tremembé, um dos coordenadores da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (ABRINJOR), a publicação inaugura uma nova etapa para o jornalismo brasileiro. “O Poranga Marandúa representa um marco para o jornalismo brasileiro por ser o primeiro manual de redação construído por jornalistas indígenas. Para os povos indígenas, é um instrumento de fortalecimento da comunicação própria e do direito de contar nossas histórias a partir das nossas perspectivas. Para o jornalismo brasileiro, é um convite a ampliar seus referenciais e construir uma cobertura mais ética, plural e comprometida com a realidade dos povos indígenas.”

Uma construção coletiva

O manual é resultado de um amplo processo colaborativo entre organizações comprometidas com a valorização das narrativas indígenas, da comunicação democrática e da justiça socioambiental.

A coordenadora geral da ABRINJOR, Luciene Kaxinawá, afirma que o manual também é um registro da diversidade e da memória do jornalismo indígena no Brasil. ” A nossa articulação é composta por mais de 40 povos indígenas diferentes, espalhados por todos os biomas do Brasil, e tem como grande força a presença das mulheres indígenas na comunicação. Este manual carrega essa diversidade e reafirma nosso compromisso com uma comunicação construída a partir dos nossos territórios, das nossas línguas e dos nossos modos de contar histórias. Também é uma homenagem aos nossos anciãos e anciãs, guardiões da memória, e aos comunicadores e comunicadoras indígenas que abriram caminhos muito antes de nós. O Poranga Marandúa nasce para honrar esse legado e garantir que as futuras gerações possam exercer um jornalismo comprometido com a verdade, com a ancestralidade e com o direito dos povos indígenas de narrar suas próprias histórias.” diz Luciene.

Jamile Mura que também fez parte do grupo de trabalho para elaboração do Manual comenta sobre o processo.”O manual foi uma construção e uma escrita coletiva, colaborativa dessa diversidade de jornalistas que compõem a Abrinjor. Foi gratificante estar debruçada em um material rico e basilar, com uma equipe competente, solidificando caminhos para um jornalismo ético e de qualidade, ou seja, nossa contribuição não é episódica, ela é para o desenvolvimento do jornalismo e da comunicação como um todo”. Afirma a jornalista. Participam desta iniciativa:

● Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (ABRINJOR) – Rede nacional que reúne cerca de 70 jornalistas e estudantes indígenas de diferentes povos e biomas brasileiros, fortalecendo a presença indígena nas redações e o protagonismo dos povos originários na produção de informação.

● Niatero – Organização internacional sem fins lucrativos que atua no fortalecimento da autonomia dos povos indígenas na proteção de seus territórios, águas e ecossistemas.

● Proteja – Organização que há mais de uma década desenvolve estratégias de comunicação popular, fortalecimento institucional e articulação em rede junto a movimentos sociais e povos tradicionais.

● Instituto Kaingang (INKA) – Organização indígena administrada exclusivamente por mulheres Kaingang, dedicada à preservação da cultura, da língua e dos direitos do povo Kaingang.

● Imaginable Futures – Organização filantrópica global que investe em iniciativas voltadas à transformação da educação e à promoção da equidade social em diferentes países.

● Com tradução das versões em inglês e espanhol de Clua – Climate and Land Use Alliance (Aliança para o Clima e o Uso da Terra) é uma colaboração internacional de grandes fundações filantrópicas criada em 2010 para financiar iniciativas voltadas a deter o desmatamento, proteger florestas tropicais e combater as mudanças climáticas. (As versões em outras línguas ainda serão lançadas posteriormente). Comunicação mais plural, democrática e representativa O lançamento do Poranga Marandúa no Congresso Nacional simboliza o reconhecimento da presença indígena como protagonista na produção do conhecimento jornalístico e reforça a importância da diversidade dentro das redações brasileiras. Mais do que orientar o uso de termos adequados, o manual propõe uma transformação estrutural na forma como o jornalismo compreende e narra os povos indígenas, contribuindo para uma imprensa mais plural, inclusiva e comprometida com a democracia. “Nunca mais um Jornalismo sem a nossa presença!”

SERVIÇO

Lançamento do Poranga Marandúa – Manual de Jornalismo Indígena

Data: 10 de agosto de 2026

Horário: 10h às 12h

Credenciamento da imprensa: a partir das 9h30

Local: Auditório Freitas Nobre, anexo IV, subsolo. Câmara dos Deputados – Brasília (DF)

Credenciamento para jornalistas: https://www.camara.leg.br/credenciamento/

Confirmação de presença no evento: Confirmação de Presença

CONTATOS PARA IMPRENSA

Coordenação geral E-mail: Abrinjor@gmail.com

Site e redes sociais: @abrinjor

Luan Tremembé – Co-Coordenador Geral

Contato: (85) 9191-2033 – Email: luandecastro2020@gmail.com

Luciene Kaxinawá – Co-Coordenadora Geral

Contato: (21) 9 7753-2821 Email: Lm.comunicacaosocial@gmail.com

Valéria Diniz de Amorim

Valéria Diniz de Amorim

Especialista em Comunicação, Marketing, Eventos, Branding e Growth, possui formações em Gestão e Produção de Negócios Criativos, Computação Gráfica e Educação. Atua há mais de uma década na criação de estratégias e projetos de comunicação com foco em cultura, educação, acessibilidade, meio ambiente e direitos humanos, especialmente no eixo DF–MA. Fundadora da Candiá Produções (2016) e do Observatório da Comunicação Popular (2025).

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