Terreirada Poética leva música e poemas de axé a Imperatriz
Imperatriz recebe em maio o festival Terreirada Poética: cantigas e poemas de Axé. Com cinco dias de programação cultural gratuita e acessível em Libras, o evento ocorre aos finais de semana — dias 1º, 3, 9, 10 e 16 — e leva poesia e música afro-ameríndia ao Centro e a bairros periféricos da cidade
25 abr, 2026

Fonte: Assessoria de Imprensa – Reportagem: Clarícia Dallo.

Festival gratuito e com acessibilidade tem cinco dias de programação no Centro e na periferia com protagonismo feminino

Imperatriz recebe em maio o festival Terreirada Poética: cantigas e poemas de Axé. Com cinco dias de programação cultural gratuita e acessível em Libras, o evento ocorre aos finais de semana — dias 1º, 3, 9, 10 e 16 — e leva poesia e música afro-ameríndia ao Centro e a bairros periféricos da cidade

O festival destaca o trabalho de poetisas, cantoras e DJs locais e fortalece as celebrações de maio para os Povos de Axé. A programação inclui ainda ações com as comunidades anfitriãs, como Feijoadas dos Terreiros, venda de comidas regionais e Feirinhas do Axé e de Artesanato

A iniciativa foi aprovada no edital nº 19/2024 “Mais Festivais e Mostras”, da Secretaria de Cultura do Maranhão, com recursos da Lei Paulo Gustavo (Decreto Federal nº 11.525/2023). A proponente é a multiartista Lília Diniz.

Entre os objetivos estão combater o preconceito, relembrando o direito constitucional à liberdade religiosa; estimular o respeito à produção cultural afro-brasileira; contribuir para a formação de plateias; e fortalecer o protagonismo feminino no cenário artístico. Serão três apresentações em bairros afastados do Centro e duas em áreas centrais, promovendo intercâmbio entre artistas convidadas e a comunidade

A multiartista Lília Diniz é a idealizadora do evento. Imagem: Divulgação.

Valorização de saberes e combate ao racismo

“Essa celebração fortalece a valorização dos saberes populares, combatendo o preconceito e incentivando o respeito e o pertencimento cultural. A Terreirada Poética promove o diálogo entre gerações e enfatiza a importância de preservar e disseminar as tradições afro-brasileiras e indígenas, essenciais para a identidade cultural local e nacional. A participação exclusiva de mulheres artistas também responde à necessidade de destacar e fortalecer a presença feminina como criadora, contadora e preservadora de histórias”, afirma Lília Diniz, idealizadora do projeto.

De acordo com Clauber do Caboclo Pena Branca, presidente da Associação de Terreiros de Religião e Cultura de Matriz Africana (Astercma), Imperatriz possui 198 terreiros, considerando mesas, recintos e congás. Sobre o festival, ele destaca: “Esse evento já se inicia com a valorização e apoio aos nossos terreiros. Todas as ações que geram conhecimento e educação são de extrema importância para o diálogo e para combatermos o racismo estrutural herdado do colonialismo”.

O evento é uma produção da Sembereba Produções e da Associação Cultural Casa das Artes, com apoio da Astercma, Associação dos Artesãos de Imperatriz (Assari), Candiá Produções e Centro de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo.

Toda a programação é gratuita, aberta ao público e acessível em Libras. Mais informações no Instagram @casadasartesitz.

PROGRAMAÇÃO TERREIRADA POÉTICA

1º de maio, sexta-feira, 10h às 13h

Local: Praça da Voz, Parque Alvorada II

10h – DJ Bea Santos | 10h30 – Lília Diniz | 11h – Malú | 12h30 – DJ Bea Santos

Durante a Feijoada do Terreiro Recinto de Nossa Senhora Aparecida e Caboclo Sete Flechas – R$ 20 a feijoada

3 de maio, domingo, 10h às 13h

Local: Av. Jacob, nº 10, Vila Redenção

10h – DJ Bea Santos | 10h30 – Samanta Matos | 11h – Ruaní | 12h30 – DJ Bea Santos

Durante a Feijoada do Terreiro de Umbanda Nossa Senhora Santana, das 9h às 15h, R$ 25 a feijoada. Haverá Feirinha do Axé com artesanatos e itens religiosos

9 de maio, sábado, 19h às 22h

Local: Centro de Direitos Humanos Padre Josimo, Rua João Lisboa, nº 1205, Juçara

19h – DJ Bea Santos | 19h30 – Lília Diniz | 20h – Samba de Siá | 21h30 – DJ Bea Santos

Venda de comidas pelas mulheres da Ocupação Nova Conquista

10 de maio, domingo, 17h às 20h

Local: Praça do Seu Oswaldo, Conjunto Vitória

17h – DJ Bea Santos | 17h30 – Lília Diniz | 18h – Samba de Siá | 19h30 – DJ Bea Santos

Com Feirinha do Empreendedorismo Feminino do bairro

16 de maio, sábado, 18h às 22h

Local: Praça da Cultura, Centro

18h – DJ Bia Passos | 18h30 – Ruaní e Samanta Matos | 19h30 – Samba de Siá e Lília Diniz | 20h30 – Lília Diniz e Malú | 21h – DJ Bia Passos

Venda de comidas e Feira de Artesanato da Assari

A cantora Ruaní é uma das atrações do evento. Imagem: Divulgação.

Casa das Artes

Fundada em 2001 por artistas de Imperatriz, a Associação Cultural Casa das Artes desenvolve ações artísticas, culturais, sociais e educativas para melhorar a qualidade de vida na Região Tocantina. Produz eventos e forma artistas e educadores, propondo políticas públicas, garantia de direitos e inclusão social. Destaca-se por projetos de formação em parceria com o poder público e outras entidades.

FIQUE SABENDO

Celebrações de maio para os Povos de Axé

Durante o mês de maio, vários terreiros de Umbanda e Candomblé celebram datas sagradas. Os dias e rituais variam conforme a tradição e a linha de cada casa. Confira as datas:

13 de maio – Dia Municipal das Religiões de Matrizes Africanas, instituído pela Lei Ordinária nº 19/2025 da Câmara Municipal de Imperatriz.

13 de maio – Dia dos Pretos Velhos: celebrado com giras, feijoada, café, bolo de fubá e benzimentos a guias como Pai Joaquim, Pai João e Vovó Cambinda.

24 e 25 de maio – Dia de Santa Sara Kali: padroeira do povo cigano, celebrada na Umbanda pela linha da prosperidade, amor e liberdade.

30 de maio – Dia de Obá: orixá guerreira da cura e do equilíbrio dos conhecimentos.

Denuncie intolerância religiosa – Disque 100

O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo intolerância religiosa. É gratuito, anônimo e funciona 24h por dia. As denúncias são encaminhadas às autoridades competentes.

Outros canais: WhatsApp (61) 99611-0100; Telegram: busque “direitoshumanosbrasil”; site: gov.br/mdh.  Em Imperatriz, a Astercma acolhe vítimas de racismo religioso pelo telefone (99) 99185-5194. O caso é encaminhado ao setor jurídico e a pessoa recebe acompanhamento para registro na delegacia.

Liberdade religiosa é direito constitucional

O Brasil, como Estado laico, garante a liberdade religiosa no art. 5º da Constituição Federal:

VI – É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VII – É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

VIII – Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

Leis contra o racismo religioso

Lei nº 9.459/1997: define crimes de racismo e prevê penas para discriminação racial ou religiosa.

Lei nº 12.288/2010: institui o Estatuto da Igualdade Racial e prevê medidas contra a discriminação racial e religiosa.

Lei nº 9.982/2000: garante assistência religiosa a pacientes em hospitais, que devem permitir a entrada de representantes religiosos.

Valéria Diniz de Amorim

Valéria Diniz de Amorim

Especialista em Comunicação, Marketing, Eventos, Branding e Growth, possui formações em Gestão e Produção de Negócios Criativos, Computação Gráfica e Educação. Atua há mais de uma década na criação de estratégias e projetos de comunicação com foco em cultura, educação, acessibilidade, meio ambiente e direitos humanos, especialmente no eixo DF–MA. Fundadora da Candiá Produções (2016) e do Observatório da Comunicação Popular (2025).

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